sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sindrome de Gilbert

A Síndrome de Gilbert é muito freqüente e ocorre em 5 a 7% da população. É causada por uma mutação no gene UGT-1A1, localizado no locus 2q37 (sendo a mutação mais freqüente a (TA)7TAA, que está presente em até 36% dos africanos e 7% dos asiáticos). Como resultado da mutação (que tem mecanismos variados de herança), a atividade da enzima UDP-glucuronil-transferase está reduzida em graus variados (o que faz com que a síndrome se manifeste diferentemente de pessoa para pessoa), mas geralmente em torno de 25% do normal, reduzindo a transformação da bilirrubina indireta (não conjugada) em bilirrubina direta (conjugada).

Em situações onde há redução mais acentuada da atividade da enzima, como na adolescência em meninos (fatores hormonais), após exercícios físicos, durante a menstruação e episódios de infecções e no jejum prolongado, a bilirrubina indireta no sangue pode aumentar o suficiente para deixar pele e olhos amarelados (icterícia).

Na Síndrome de Gilbert não há qualquer alteração na estrutura do fígado (avaliado pela biópsia) ou nos exames de função hepática ou de lesão hepatobiliar além da elevação de bilirrubina. É uma condição benigna, que não está relacionada a sintomas além da icterícia ocasional e prolongamento da icterícia neonatal (em recém nascidos).

Sintomas como fadiga, sonolência, náusea e desconforto abdominais não são causados pela Síndrome de Gilbert. O que acontece é que nas infecções, mesmo leves, pelo vírus da gripe, onde ocorrem estes sintomas, a enzima reduz sua função e provoca icterícia. Além disso, a síndrome pode ser descoberta em portadores de outras doenças, incluindo depressão e ansiedade (que também pode desencadear episódios de icterícia nos portadores da síndrome), que fazem exames e descobrem a elevação da bilirrubina indireta e erroneamente atribuem a isso a causa dos seus sintomas.

O único inconveniente mais sério da síndrome é que algumas drogas que necessitam da UDP-glucuronil-transferase para a sua metabolização podem ter o seu efeito prolongado, mas isso não significa lesão ao fígado. Isso é mais importante em relação a alguns quimioterápicos (medicações para câncer). O uso de álcool ou do roacutan (isotretinoína) não está contra-indicado em portadores.

Como a realização de pesquisa genética para o diagnóstico da Síndrome de Gilbert é um método muito caro e pouco eficaz (a mutação estudada pode não ser a que o portador tenha), o diagnóstico é primariamente de exclusão, ou seja, são realizados exames para descartar a possibilidade de doença do fígado e de hemólise, que serão todos normais com exceção da bilirrubina indireta, que estará aumentada (até 5,0 mg/dL).

Após a exclusão de outras doenças que levam ao aumento da bilirrubina indireta, pode ser realizada dosagem de bilirrubinas em condições normais e após uma dieta hipocalórica de 24 horas, causando um aumento na bilirrubina indireta de 2 a 3 vezes. O mesmo aumento pode ser desencadeado pela administração endovenosa de ácido nicotínico. O fenobarbital, um medicamento utilizado para o tratamento de convulsões, estimula a atividade da enzima UDP-glucuronil-transferase e leva a redução na bilirrubina indireta, servindo como método diagnóstico.

A Síndrome de Gilbert não é contagiosa, não leva a doença do fígado nem a complicações a longo prazo. O único inconveniente é a icterícia em uma minoria dos portadores, que pode ser manuseada evitando-se os fatores desencadeantes (descritos acima), ou pelo uso de fenobarbital sob acompanhamento médico se a icterícia for freqüente ou intensa o suficiente para causar desconforto estético. Não impede o uso do álcool, que terá o mesmo efeito em portadores e não portadores (e deve ser utilizado com moderação por todos), nem a doação de sangue.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Bilirrubinas – Diagnosticando Doenças Hepáticas e Biliares


O exame de sangue conhecido normalmente como bilirrubina total e frações (bilirrubina total, direta e indireta) é realizado pelo laboratório clínico em amostra de sangue. O médico solicita este exame ao observar sintomas em seu paciente que mostre uma condição, por exemplo, de icterícia, alterações hepáticas e outras suspeitas. A Bilirrubina é produto da quebra da hemoglobina no Sistema Reticuloendotelial. É conjugada no fígado para depois ser eliminada na bile, a análise é útil para o diagnóstico diferencial de doenças hepáticas e biliares, além de outras causas de icterícia.
Bilirrubina circula no sangue sob duas formas:

Bilirrubina Indireta (ou não conjugada) – Este tipo de bilirrubina não se dissolver em água (insolúvel). Percorre a corrente sanguínea até o fígado, onde é transformada em uma forma solúvel (direta ou conjugada).

Bilirrubina Direta (ou conjugada), dissolve em água (solúvel) produzida no fígado a partir de bilirrubina indireta
Bilirrubina total e bilirrubina direta são medidas diretamente no sangue, enquanto os níveis de bilirrubina indireta são derivadas das medições de total e bilirrubina direta.

Quando os níveis de bilirrubina estão elevados, a pele e a parte branca dos olhos podem aparecer amarelo (icterícia). Icterícia pode ser causada por doença hepática (hepatite), desordens hematológicas (anemia hemolítica), ou bloqueio dos tubos (ductos biliares), que permitem a passagem de bílis do fígado ao intestino delgado.

Quantidades aumentadas de bilirrubina (hiperbilirrubinemia – condição em que a pele de um bebê e os olhos aparecem amarelo devido a um acumulo de bilirrubina no sangue), em um recém-nascido pode causar danos cerebrais (conhecido como kernicterus), perda auditiva, problemas com os músculos que movem os olhos, anormalidades físicas, e até mesmo a morte. No hospital frequentemente bebês ficam na incubadora recebendo tratamento de fototerapia, luzes especiais, nestes casos de bilirrubina aumentada. A luz muda a bilirrubina para uma forma que o bebê pode se livrar dela pela fezes e urina.
O exame de bilirrubina é utilizado em várias situações:

* Verificar o estado geral do fígado e observar sinais de doença hepática, tais como hepatite ou cirrose, ou os efeitos de medicamentos que podem prejudicar o órgão.
* Diagnosticar as condições que causam o aumento da destruição das hemácias, como anemia hemolítica ou doença hemolítica do recém-nascido.
* Verificar bloqueios dos ductos biliares. Isto pode ocorrer se cálculos biliares, tumores do pâncreas, ou outras condições que podem estar presentes.
* Casos de icterícia neonatal, diagnosticar e acompanhar tratamento.

Como é feito o preparo para realizar este exame:

Adultos devem fazer jejum por 4 horas antes da coleta do sangue, para crianças não é necessário jejum.

Causas de aumento da bilirrubina direta (conjugada): Doenças hepáticas hereditárias (Dubin-Johnson, Rotor), lesão de hepatócitos (viral, tóxica, medicamentosa, alcoólica) e obstrução biliar (litíase, neoplasias). Níveis de bilirrubina direta maiores que 50% dos valores totais são sugestivos de causas pós-hepáticas. Causas de aumento da bilirrubina indireta: anemias hemolíticas, hemólise autoimune, transfusão de sangue reabsorção de hematomas, eritropoiese ineficaz e doenças hereditárias (Gilbert, Crigler-Najar). Uso de drogas que ativam o sistema microssomal hepático podem reduzir as bilirrubinas.
Valor de referência, normais

* Direta – até 0,4 mg/dL
* Indireta – até 0,8 mg/dL
* Total – até 1,2 mg/dL


Bilirrubina também pode ser medida na urina, que normalmente não contém este produto, se detectada na urina, podem ser necessários testes adicionais para determinar a causa.

Carcinonas....



O carcinoma espinocelular (espinalioma ou epitelioma espinocelular) é um tumor maligno da pele, representando cerca de 20 a 25% dos cânceres da pele. Pode surgir em áreas de pele sadia ou previamente comprometidas por algum outro processo como cicatrizes de queimaduras antigas, feridas crônicas ou lesões decorrentes do efeito acumulativo da radiação solar sobre a pele, como as ceratoses solares.

O espinalioma tem o crescimento mais rápido que o carcinoma basocelular, atinge a pele e as mucosas (lábios, mucosa bucal e genital) e pode enviar metástases para outros órgãos se não for tratado precocemente. A proteção solar é a melhor forma de prevenir o seu surgimento pois sua localização mais frequente são as áreas de pele expostas continuamente ao sol.

Manifestações clínicas

As lesões atingem principalmente a face e a parte externa dos membros superiores. Iniciam-se pequenas, endurecidas e tem crescimento rápido, podendo chegar a alguns centímetros em poucos meses. Crescem infiltrando-se nos tecidos subjacentes e também para cima, formando lesões elevadas ou vegetantes (aspecto de couve-flor). É frequente haver ulceração (formação de feridas) com sangramento.

O carcinoma espinocelular pode produzir metástases, piorando o prognóstico. É, portanto, fundamental o diagnóstico e tratamento precoce do câncer para evitar o envio de células tumorais para outros órgãos. Além da proteção solar, o tratamento das lesões que podem originar a doença são medidas para preveni-la. No caso de lesões suspeitas, procure um dermatologista para uma avaliação e diagnóstico precoce.

Tratamento

O tratamento do carcinoma espinocelular é cirúrgico, através da retirada total da lesão e deve ser realizado o mais precocemente possível para se evitar a ocorrência de metástases.

CIRURGIA LAPAROSCÓPICA


O que é?

"Láparos" vem do grego e significa abdômen. Laparotomia é a cirurgia que incisa a parede abdominal para operar as estruturas e órgãos intra-abdominais a céu aberto. Laparoscopia é uma maneira de olhar dentro do abdômen, através de uma pequena incisão por onde se introduz uma lente que é o Laparoscópio. Até anos relativamente recentes, apenas se fazia diagnóstico laparoscópico ou eventualmente retiradas de pequenas porções de tecido para análise anátomo-patológica.

Cirurgia Laparoscópica, com operações mais extensas, ressecando inclusive órgãos mais variados, desenvolveu-se bem mais recentemente.

Para compreender como se realiza a laparoscopia, descrevem-se os seguintes passos:

>A cavidade abominal é virtual, isto é, todos os seus órgãos e estruturas encostam-se uns aos outros.
>Para introduzir o laparoscópio, a cavidade deve ser distendida. Isso é feito através da introdução de gás que separa os diversos órgãos, permitindo introduzir com segurança o laparoscópio. Usa-se um aparelho, o insuflador, que faz o controle das medidas do volume e da pressão do gás insuflado, informando o médico se o procedimento está correto.
>Uma vez a cavidade adequadamente distendida, introduz-se uma lente de luz fria, que transmite imagem clara a um monitor de vídeo por meio de um sistema de fibras ópticas. A lente é o laparoscópio.
>Após esses procedimentos iniciais, o cirurgião está pronto para introduzir, através de pequenas incisões, os instrumentos com os quais vai operar.
>Esses instrumentos são muito similares aos usados em cirurgia tradicional, só que bem mais delicados.
>Essa introdução de instrumentos já é feita através de visão direta, pois o laparoscópio já está dentro do abdômen transmitindo as imagens para o monitor de vídeo.
>Nesse momento, o cirurgião tem condições de avaliar as alterações existentes e programar a operação que pretende executar.

História da Laparoscopia

A história da laparoscopia caracteriza-se por pequenas invenções que foram se acoplando até que descobertas importantes, mais recentes, tornaram esse método cirúrgico mais factível e seguro.

Um sistema de lentes ópticas desenvolvido por Hopkins, usado inicialmente com muito sucesso em urologia, criou o laparoscópio moderno.
Um sistema de produção de luz fria tornou segura a iluminação das cavidades orgânicas, incluindo o abdômen.
Transmissão de imagens por fibras ópticas que permitiram o enorme desenvolvimento da endoscopia diagnóstica, especialmente do aparelho digestivo.
Transmissão de imagens à distância, que é a televisão.
Desenvolvimento de microcâmeras de televisão, fáceis de manipular por sua leveza, transmitindo imagens de excepcional qualidade.

História da Cirurgia Laparoscópica

Seu desenvolvimento foi progressivo à medida que os equipamentos e instrumentos cirúrgicos foram se modernizando. Em 1962 foi realizada a primeira laqueadura tubária. Em 1974, Semm em Lubeck, Alemanha, realizou vários tipos de cirurgia ginecológica. Semm é considerado o pai da cirurgia laparoscópica. Por sua influência direta, os avanços iniciais foram todos na área ginecológica. Em 1983 esse mesmo cirurgião alemão e Mouret em Lyon, França, executaram as primeiras apendicectomias. Em 1987, já com o desenvolvimento de microcâmeras de vídeo, realizou a primeira ressecção laparoscópica de vesícula biliar. Em 1960, Tomas Szego em São Paulo, Áureo Ludovico de Paula em Goiânia e Célio Nogueira em Belo Horizonte executaram as primeiras colecistectomias no Brasil.

Depois das primeiras colecistectomias, houve uma verdadeira explosão, em todo mundo, de cirurgias pelo novo método. Relembre-se que a primeira colecistectomia por laparoscopia foi executada em 1987. Das cirurgias ginecológicas e colecistectomia, estendeu-se o acesso laparoscópico para praticamente todos os órgãos abdominais e para fora da cavidade abdominal. Operam-se, hoje, tórax, articulações, coluna, cavidade craniana, tireóide, cirurgias plásticas. Muitas dessas operações são realizadas com indiscutível vantagem sobre a cirurgia tradicional. Aos poucos, vem se definindo aquelas operações que realmente oferecem vantagens, quando realizadas por videoendoscopia cirúrgica. Cabe frisar que, para realizar operações laparoscópicas, o cirurgião deve estar bem treinado nas cirurgia tradicionais ou laparotômicas. Por outro lado, para trabalhar com laparoscopia, é necessário um treinamento adequado, específico. São necessários, também, equipamentos e instrumentos específicos, com os quais o cirurgião deve estar bem familiarizado. Estes últimos vêm se aperfeiçoando progressivamente e impõem aumento nos custos inerentes.

A cirurgia laparoscópica, quando bem indicada e executada, é muito melhor para o paciente. Este sofre bem menos com as pequenas incisões cirúrgicas, há menos dor pós-operatória, a permanência hospitalar torna-se mais curta e a recuperação para as atividades é mais rápida. Em resumo, a cirurgia laparoscópica constitui um avanço enorme, consagrou-se com muita rapidez e, quando bem indicada e bem executada, traz grande benefício aos pacientes.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

KURU


Kuru é o nome local da Doença de Creutzfeldt-Jakob clássica. Ocorreu como que uma epidemia nas décadas de 1950 e 1960 entre pessoas os papuas, nativos da Nova Guiné. Descobriu-se que a causa próxima era a prática de canibalismo ritual. Apresentando os sintomas da DCJ, essa doença vitimava principalmente mulheres e crianças, as pessoas que ingeriam cerimonialmente o cérebro de seus familiares mortos, em um ritual de luto. Este canibalismo ritual foi apontado como o mecanismo de transmissão de príons na doença, que ficou conhecida como Kuru.

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma desordem cerebral caracterizada por perda de memória, tremores, desordem na marcha, postura rígida e ataques epilépticos, e paralisia facial que dá a impressão de que a pessoa está sempre sorrindo(contração muscular involuntária) devida a uma rápida perda de células cerebrais causada por uma proteína transmissível chamada príon. A doença incide em todas as populações humanas com um incidência típica da doença de 1 caso para 1.000.000 de habitantes por ano. Normalmente aparece na meia-idade com o pico de incidência entre 50 a 70 anos. As duas manifestações cardinais são demência rapidamente progressiva e mioclonia.

Agente etiológico

O príon que muitos acreditam ser a provável causa da DCJ exibe uma seqüência de aminoácidos e uma configuração que o torna insolúvel na água, enquanto que a proteína normal é altamente solúvel. Assim, à medida que o número de proteínas defeituosas se propaga, aumentando exponencialmente, o processo cria uma grande quantidade de príons insolúveis nas células cerebrais afetadas. Esta carga de proteínas destrói a função celular e causa a morte das células afetadas.

Uma vez que o príon é transmitido para uma pessoa, as proteínas defeituosas invadem seu cérebro como fogo numa floresta e o paciente morre dentro de poucos meses (alguns poucos pacientes sobrevivem de 1 a 2 anos.

Existem dois tipos principais de DCJ relatados:

1. A DCJ Clássica (conhecida desde o início do século XX) e
2. A nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob, (abreviada como vDCJ), reconhecida em meados da década de 90 e associada ao surto de Encefalopatia Espongiforme Bovina (abreviada BSE em inglês).

Práticas de laboratório para diagnóstico da malária



A malária é um sério problema de saúde mundial. Anualmente, são infectados 200 milhões de pessoas e 2 milhões morrem da doença. Apesar do aumento do número de terapias e métodos de controle, continuamos longe de controlar a doença. A chave para a redução da taxa de mortalidade é um diagnóstico rápido e uma terapia eficaz. Apesar da microscopia ser considerada o padrão-ouro para o diagnóstico e monitoramento do tratamento da malária, essa técnica exige pessoal treinado e experimentado no exame de distensões sanguineas. Novas técnicas científicas estão sendo empregadas para desenvolver diagnósticos simples, eficazes, capazes de serem realizados fora do laboratório. Espera-se que a utilização desses testes venha a possibilitar diagnósticos rápidos nas comunidades locais, assegurando o tratamento imediato e eficaz para prevenir a disseminação da doença.

A malária infecta mais de 200 milhões de pessoas no mundo, dos quais morrem 2 milhões. Um diagnóstico rápido e o tratamento precoce dos casos clínicos é essencial para a redução da taxa de mortalidade por malária. O monitoramento da eficácia do tratamento antimalárico é igualmente decisivo. Isso exige controle da eliminação dos parasitas para que se possa detectar precocemente qualquer recrudescimento da doença devido às variedades resistentes aos medicamentos, iniciando-se um tratamento igualmente precoce com vistas a prevenir complicações e deter a propagação da doença. O atraso no diagnóstico e a demora no tratamento são os motivos por que se associa essa elevadíssima taxa de mortalidade à malária do P.falciparum. O problema é ainda mais agravado pela redução da sensibilidade às drogas pelo parasita da malária, particularmente o P.falciparum, e pelo aumento na transmissão da malária em algumas regiões do mundo, enquanto escasseiam as medidas para controle do vetor e sua resistência aos pesticidas. Atualmente, o P.falciparum é virtualmente intratável pela cloroquina na maior parte do mundo. Muitas variedades do P. vivax também são resistentes à droga. O quinino é a droga preferida para o tratamento da malária resistente a cloroquina, mas a toxicidade da mesma e o não seguimento da prescrição médica são problemas que persistem. Novas drogas antimalária (e.g. Artenusate, Malarone, Mefloquine) são caras e nem sempre eficazes. Já existe alguma resistência a essas novas drogas.

Diagnóstico da malária no laboratório

A administração eficaz de um caso de malária exige o diagnóstico imediato, seguido do tratamento precoce apropriado. O tratamento com drogas deve ser monitorado para assegurar a detecção precoce de quaisquer falhas no tratamento que possam resultar em complicações e na propagação continuada de variedades resistentes às drogas. Deve-se então escolher um tratamento alternativo. É mundialmente aceita a necessidade de diagnosticar melhor a malária. O teste ideal para o diagnóstico da malária deve ser simples, rápido, de fácil interpretação, sensível (capaz de detectar níveis bastante baixos de parasitemia, e.g. numa população imune em áreas endêmicas, em infecções subpatentes e recrudescentes), e específico, particularmente quanto ao P. falciparum. O teste deve ser adequado para uso em espécimes frescos ou preservados (desidratados ou congelados), e possivelmente formatado para uso em equipamentos automáticos de análises clínicas. Também deve ser possível a obtenção de resultados quantitativos (parasitemia) para o monitoramento do tratamento por drogas. Qualquer teste disponível deve ser de baixo custo para uso em áreas endêmicas onde a doença prevalece.

Microscopia de distensão sanguínea

Historicamente, a pedra fundamental para o diagnóstico da malária tem sido a microscopia de distensões sanguíneas espessas e finas. Essa técnica continua sendo o método mais econômico e, independente do progresso que se está alcançando com métodos não-microscópicos para o diagnóstico da malária, a microscopia continuará sendo por muitos anos uma importante técnica diagnóstica. O diagnóstico microscópico é um procedimento sensível, de custo reduzido, que pode fornecer informações valiosas ao médico atendente, tanto para fins terapêuticos como para o acompanhamento clínico. O treinamento de um microscopista no reconhecimento e identificação de espécies de parasitas da malária, assim como para contribuir com informações capazes de influenciar o modo de aplicação e a droga a ser ministrada, é uma tarefa muito exigente, que requer empenho, paciência e habilidade. A microscopia não deve ser desprezada ainda que outros métodos não-microscópicos estejam disponíveis.

Microscopia de distensão sanguínea

Historicamente, a pedra fundamental para o diagnóstico da malária tem sido a microscopia de distensões sanguíneas espessas e finas. Essa técnica continua sendo o método mais econômico e, independente do progresso que se está alcançando com métodos não-microscópicos para o diagnóstico da malária, a microscopia continuará sendo por muitos anos uma importante técnica diagnóstica. O diagnóstico microscópico é um procedimento sensível, de custo reduzido, que pode fornecer informações valiosas ao médico atendente, tanto para fins terapêuticos como para o acompanhamento clínico. O treinamento de um microscopista no reconhecimento e identificação de espécies de parasitas da malária, assim como para contribuir com informações capazes de influenciar o modo de aplicação e a droga a ser ministrada, é uma tarefa muito exigente, que requer empenho, paciência e habilidade. A microscopia não deve ser desprezada ainda que outros métodos não-microscópicos estejam disponíveis.

Distensão sanguínea ‘espessa’ (gota espessa)

A distensão sanguínea espessa proporciona uma camada de 3 a 5m l de sangue numa área de 1 cm2. É corada com corante não fixado de Fields ou Giemsa (Romanowsky). Uma distensão espessa é 15 a 20 vezes mais sensível do que a distensão sanguínea fina equivalente e responde pela sensibilidade da técnica microscópica. Nas mãos de um microscopista experiente, uma densidade de parasitas da ordem de 5 a 50 parasitas/m l (0,001%-0,0001% parasitemia) pode ser detectada. No entanto, pela experiência da UKNEQAS [United Kingdom National External Quality Assessment/Avaliação Nacional da Qualidade Externa no Reino Unido] para Parasitologia, um nível de 50 a 500 parasitas/m l (0.01-0.001%) é mais realista para a maioria dos laboratórios. O exame de 200 campos de distensão sanguínea espessa é o método padrão, e o seu uso pode acelerar a rapidez no diagnóstico e melhorar a sensibilidade de detecção do parasita em várias casas decimais, em comparação com distensões sanguíneas finas. A microscopia que utiliza distensões sanguíneas espessas pode ser empregada para diagnóstico e triagem de estágios de gametas. Adicionalmente, a maior sensibilidade da distensão sanguínea espessa permite detectar quaisquer indícios iniciais de alterações na morfologia parasitária ou a falha em erradicar o parasita após uma terapia adequada, o que pode sugerir uma possível resistência à droga ou o recrudescimento da infecção.

Distensão sanguínea ‘fina’

As distensões sanguíneas finas produzem uma monocamada de eritrócitos na lâmina e são coradas com corante Giemsa após a fixação. A distensão fina possui elevada especificidade e o reconhecimento preciso do estágio do parasita da malária, permitindo determinar sua espécie. Relatar o número de hemácias (RBCs) parasitadas pelo P. falciparum (parasitemia) é uma outra ferramenta que permite ao médico decidir sobre a severidade potencial da infecção, particularmente em pacientes não-imunes, e influencia a escolha da droga e a via de administração. O exame correto de uma distensão sanguínea fina que tenha sido corado leva pelo menos 20 minutos. O reconhecimento e relato dos estágios mais tardios do trofozoíto do P. falciparum podem fornecer indicadores valiosos para o clínico sobre um possível envolvimento cerebral.

Os trofozoítos tardios do P.falciparum contém cromatina expandida e um citoplasma mais espesso que é freqüentemente vacuolado (figura 1). Inclusões de hemácias (fenda de Maurer [Maurer’s cleft]) também são visíveis. Adicionalmente, um pequeno aglomerado de pigmento marrom dourado de hemozoína é encontrado em posição oposta ao único ponto de cromatina do núcleo. Os estágios esquizontes do P.falciparum são identificáveis pela divisão da cromatina em diversas partes e uma massa única e grande de pigmento hemozoína. As hemácias parasitadas são muitas vezes ‘desemoglobinizadas’. O exame diário de distensões sanguíneas finas para a verificação de parasitemia fornece valiosa indicação de terapia bem sucedida ou de possível fracasso na terapia medicamentosa.

Parasitas inviáveis podem permanecer em circulação junto com parasitas viáveis e poderiam, portanto, estar presentes numa parasitemia. Tem sido relatada a diferenciação por fluorocromos entre parasitas viáveis e inviáveis com Rhodamine 123. O laranja acridina e o Benzociocarboxipurina são dois fluorocrômos que têm afinidade com a cromatina do núcleo do parasita, e têm sido empregados nos procedimentos de coloração de parasitas da malária com uso de uma fonte de luz UV. Eles constituem um método microscópico sensível para a detecção de parasitas da malária, mas carecem da capacidade de especificar. O controle da qualidade de todos os corantes e procedimentos de coloração é boa prática de laboratório.

Testes baseados em antígenos

Toda técnica empregada no diagnóstico da malária deve atender a determinados critérios técnicos e igualar, ou exceder, o desempenho do método atualmente aprovado (O Padrão-Ouro). Deve ser sensível, precisa e fácil, exigindo pouco treinamento do operador e da capacidade de interpretar. Para substituir um procedimento aprovado por um método novo, é necessário que este forneça aos médicos resultados igualmente aceitáveis.

Os Testes de Diagnóstico Rápido (TDRs) que fazem uso do princípio da imunocromatografia estão se tornando uma alternativa viável para o exame microscópico de distensões sanguíneas finas/espessas (figura 2). Os testes atuais disponíveis para malária empregam antígenos de três parasitas detectáveis distintos: Histidine Rich Protein 2 é um antígeno do P. falciparum encontrado em abundância. Também são usados o lactato dehidrogenase e a aldolase parasita-específicos. Um terceiro componente é usado no BINAX ‘NOW’ ICT, mas ainda não foi divulgado.

O que podem fazer os TDRs atuais?

Os atuais TDRs podem ser utilizados. com sensibilidades variáveis, para detectar o P.falciparum isolado ou o P.falciparum com ‘outros’ antígenos da espécie Plasmodium. Todos dão um resultado em prazo compatível (20 minutos) e não há correlação direta entre a densidade visual da linha de captura e a parasitemia calculada a partir da distensão sanguínea fina. Os TDRs que usam o HRP2 para o reconhecimento do P falciparum não distinguem entre antígenos de parasitas viáveis e inviáveis em circulação. Contudo, os TDRs que medem a atividade enzimática do parasita indicam a presença de parasitas viáveis exclusivamente.

PCR – uma alternativa válida para o diagnóstico da malária?

Foram desenvolvidos numerosos ensaios baseados em PCR (Polymerase Chain Reaction/Reação em cadeia de polimerase) para o diagnóstico da malária. Vários estudos demonstram que a PCR tem sensibilidade e especificidade maiores do que a distensão sanguínea fina (figura 3). A técnica é muito útil quando há necessidade de examinar com precisão um grande número de amostras como, por exemplo, em diversos estudos epidemiológicos; em experiências clínicas, terapêuticas e de imunização; na triagem de doadores de sangue e na detecção de vetores assintomáticos em áreas endêmicas. A PCR é também uma ferramenta muito útil no diagnóstico de infecções mistas, no monitoramento da resposta do paciente a drogas antimalária, e na caracterização de genótipos.

Numerosos alvos de DNA têm sido empregados em ensaios baseados em PCR. A pequena subunidade de gene (SSU) rRNA, com seus sítios gene-específicos e espécie-específicos, tem sido empregada na diferenciação de espécies plasmodiais de PCR (Snounou et al 1996). Também têm sido investigadas as regiões espécie-específicas do gene da proteína ‘circumsporozoíta’.

A PCR também está se tornando uma ferramenta cada vez mais importante no monitoramento do tratamento medicamentoso. Os métodos que dependem de testes de suscetibilidade in vitro são de emprego limitado porque exigem equipamentos e perícias consideráveis, e com freqüência produzem resultados inconsistentes. Nem todos os parasitas podem ser adaptados à cultura in vitro, e os métodos microscópicos não são suficientemente sensíveis para detectar níveis muitos baixos de parasitemias resultantes de tratamentos curativos ou subterapêuticos (parasitemias subpatentes ou infecções recrudescentes).

Automatização usando pigmento Hemozoína

O pigmento hemozoína é produzido pelo parasita da malária ao digerir a hemoglobina do eritrócito. O seu uso como possível alvo para diagnóstico com o emprego de gráficos de dispersão produzidos por analisadores de contagem sanguínea tem sido discutido, (Parasitology Today, vol. 16, 2000). A possível presença contínua do pigmento hemozoína nos monócitos por períodos consideráveis após a cura originam diagnósticos falso-positivos, em particular nas áreas endêmicas. Contudo, esta será uma área interessante para desenvolvimento futuro.

Conclusão

A distensão sanguínea corada ainda é de uso extensivo e prático no diagnóstico de rotina da malária e atualmente não pode ser superado como o padrão-ouro para diagnóstico. Contudo, alguns TDRs podem proporcionar a sensibilidade e a especificidade necessárias para substituir a microscopia, assim que tiverem sido vencidos os problemas de estabilidade e custo. Espera-se que, eventualmente, todo centro de saúde possa diagnosticar a malária, ensejando o diagnóstico e o início de tratamento eficaz precoces. Isso terá um papel vital na redução do número de óbitos por esta doença.

Teste rápido é uma metodologia de diagnóstico, geralmente em formato de “fita” ou de “sabonete” muito usada hoje em dia para diagnóstico de gravidez, dengue, hepatite e outras patologias, permitindo realizar o exame em curto espaço de tempo, sendo possível liberar o resultado em 15 a 30 minutos, dependendo do agente a ser pesquisado. Também para o diagnóstico rápido da gripe “Suína“, agora influenza A H1N1 é possível fazer o teste rápido.

Os testes disponíveis para resultados em poucos minutos diagnostica a presença do vírus influenza A, podendo ajudar o clínico, descartando casos suspeitos, ou incluindo para realizar testes mais sensíveis em casos que apresentem sinais e sintomas relacionados a gripe.

Estes testes existentes verificam a presença do vírus A e B, em material biológico de origem respiratória. Deve ser usado com cautela pois ainda não existem estudos sobre falso positivo e falso negativo em amostras que contenham o vírus H1N1, mas conforme observações feitas no novo vírus, ele possui as mesmas características dos outros influenza A. Alguns laboratórios que possuem o kit para influenza A e B relatam este evento e indicam o uso dos testes.

Portanto é prudente ao usar estes testes rápidos fazê-lo como parte de um completo rastreio diagnóstico, incluindo confirmação da presença do vírus H1N1 por outros métodos como PCR-RT e cultura viral.

O blog Scientific Blogging, informa que a empresa Arrayit Corporation, fabricante de testes para exame rápido está desenvolvendo um teste específico para vírus gripe A influenza H1N1 e a produção deve começar nas próximas semanas.

No caso dos testes que já existem no mercado para influenza A e B a sensibilidade avaliada situa-se em torno de 50 a 70% ao ser comparado com cultura viral e PCR-RT. Outro fator importante é o tipo de amostra coletada que pode influenciar nos resultados finais, devendo ser realizada nos primeiros dias que surgem os sintomas clínicos de indício de gripe.

Algumas marcas e métodos estão disponíveis para serem utilizados visando promover um resultado confiável podendo desta forma iniciar uma terapia medicamentosa direcionada. Entre os testes existentes algumas diferenças devem ser observadas para evitar exames de características inespecíficas.

Alguns podem identificar o vírus A e B e diferenciá-lo.
Outros podem identificar o vírus A e B, mas não podem diferenciá-lo.
E muitos deles variam entre si de acordo com a precisão do teste em função do tipo de material coletado.
Em alguns casos é necessário criar mecanismo de absorção de material por outras instituições e estas realizarem provas mais especializadas, como é o caso no Brasil dos laboratórios Adolfo Lutz (São Paulo), Fiocruz (Rio de Janeiro) e Evandro Chagas (Belém), que estão recebendo esta semana kits de teste rápido, foram escolhidos por serem referência para a OMS no país.

http://www.plugbr.net/teste-rapido-para-diagnostico-de-gripe-influenza-a-h1n1/

Exame de DNA – Teste de paternidade está mais barato e disponível para ser feito em casa

Em uma perspectiva macro este texto apresenta informação sobre o teste DNA para averiguar paternidade, destacando principalmente um fato relevante ocorrido nos comentários sobre “fazer o teste em casa e o preço da descoberta“, a partir do qual implementamos uma parceria em benefício exclusivo do nosso leitor que deseja fazer um teste de paternidade, o exame de DNA terá um desconto de 5% sobre o preço que já é um dos menores do país, senão o menor, realizado pelo laboratório clínica de exames de DNA – Biocroma, basta dizer que viu sobre o desconto aqui no Plugbr.net, vamos aos detalhes.

No texto acima mencionado recebi um comentário de um colega leitor, um depoimento sobre o atendimento recebido por ele em um dos laboratórios que realizam o teste de paternidade, falava sobre a Biocroma, clínica de exames de DNA, relatando o bom atendimento e a qualidade do serviço, quando fui publicar o comentário, resolvi conferir se o número do telefone citado por ele era realmente do laboratório, confirmei e descobri neste contato um dos colaboradores do laboratório, Glauco, trocamos informações sobre os exames de paternidade e sobre o blog, me chamou atenção a maneira cortês e atenciosa como trata alguém que deseja tirar dúvidas.

Depois disso ele me passou mais informações sobre preços, condição de coleta de materiais biológicos e o sigilo no resultado, algum tempo depois entrei novamente em contato com o Glauco e solicitei se não seria possível oferecerem um desconto aos clientes que fossem procurar o serviço prestado pela clínica Biocroma de DNA, através do Plugbr.net, uma forma de promover o trabalho da equipe deles e dar condições ao leitor do blog realizar o exame de DNA a um preço menor, portanto este post não é patrocinado, mas tem um caráter de parceria.

Os materiais biológicos que podem ser usados para a realização de exame de DNA: saliva (raspado bucal), sangue, fios de cabelo, sêmen, líquido amniótico, reconstituição de perfil genético familiar sem a presença do pai, identificação de cadáveres, exumação através de tecido humano, dentre outros. Todos os exames podem ser utilizados para fins jurídicos, mediante autorização por escrito do responsável pela criança e do consentimento das outras partes, suposto pai e mãe.

Hoje em dia modernas técnicas, na área de identificação humana, ampla automação, usando Kits que contam com a percepção de análise para 15 (quinze) regiões autossômicas e 01 (uma) região para o cromossomo sexual, o que permite obter resultados em até 24 horas, com confiabilidade absoluta.

Os exames já podem ser realizados com material coletado pelo próprio usuário, sem ter que sair do conforto do lar, o kit é enviado pelo laboratório direto para a residência do cliente, com o máximo de descrição, pois em algumas situações o cliente deseja que seja feito desta forma. O kit-coleta (saliva) juntamente com informações completas a respeito do procedimento correto de coleta das amostras chega na casa do solicitante via sedex, o material é de fácil coleta, não é necessário ter experiência para realizar o procedimento, depois disso o material deve ser prontamente devolvido ao laboratório que irá realizar a investigação de paternidade, simples assim.

Os preços dos exames praticados no país variam muito, inclusive solicitei a Biocroma que nos enviassem um demonstrativo dos preços praticados por eles, são muito bons. Para resultados em 7 a 10 dias, TRIO {suposto pai, mãe e filho(a)} ou DUO {suposto pai e filho(a)} SALIVA (RASPADO BUCAL)= R$ 500,00 (2 parcelas de R$ 250,00); SANGUE= R$ 500,00 (2 parcelas de R$ 250,00); FIOS DE CABELO= R$ 800,00 (1ª parcela de R$ 400,00 / 2ª parcela de R$ 400,00), e mencionando que viu este texto no Plugbr.net o pessoal da clínica Biocroma de exames de DNA, concede mais 5% de desconto. Entre em contato com o Glauco Bivar, nos seguintes telefones: (21) 3010-9696 / (21) 8878-3104, solicite outras informações e agende seu exame. Consulte aqui informações sobre o cadastro deste estabelecimento.

Estaremos sempre buscando formas de beneficiar o leitor que visita e assina gratuitamente o plugbr.net, fique atento a novas vantagens de ser um assinante.


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Bilirrubinas – Diagnosticando doenças hepáticas e biliares

O exame de sangue conhecido normalmente como bilirrubina total e frações (bilirrubina total, direta e indireta) é realizado pelo laboratório clínico em amostra de sangue. O médico solicita este exame ao observar sintomas em seu paciente que mostre uma condição, por exemplo, de icterícia, alterações hepáticas e outras suspeitas. A Bilirrubina é produto da quebra da hemoglobina no Sistema Reticuloendotelial. É conjugada no fígado para depois ser eliminada na bile, a análise é útil para o diagnóstico diferencial de doenças hepáticas e biliares, além de outras causas de icterícia.

Bilirrubina circula no sangue sob duas formas:
Bilirrubina Indireta (ou não conjugada) – Este tipo de bilirrubina não se dissolver em água (insolúvel). Percorre a corrente sanguínea até o fígado, onde é transformada em uma forma solúvel (direta ou conjugada).

Bilirrubina Direta (ou conjugada), dissolve em água (solúvel) produzida no fígado a partir de bilirrubina indireta
Bilirrubina total e bilirrubina direta são medidas diretamente no sangue, enquanto os níveis de bilirrubina indireta são derivadas das medições de total e bilirrubina direta.

Quando os níveis de bilirrubina estão elevados, a pele e a parte branca dos olhos podem aparecer amarelo (icterícia). Icterícia pode ser causada por doença hepática (hepatite), desordens hematológicas (anemia hemolítica), ou bloqueio dos tubos (ductos biliares), que permitem a passagem de bílis do fígado ao intestino delgado.

Quantidades aumentadas de bilirrubina (hiperbilirrubinemia – condição em que a pele de um bebê e os olhos aparecem amarelo devido a um acumulo de bilirrubina no sangue), em um recém-nascido pode causar danos cerebrais (conhecido como kernicterus), perda auditiva, problemas com os músculos que movem os olhos, anormalidades físicas, e até mesmo a morte. No hospital frequentemente bebês ficam na incubadora recebendo tratamento de fototerapia, luzes especiais, nestes casos de bilirrubina aumentada. A luz muda a bilirrubina para uma forma que o bebê pode se livrar dela pela fezes e urina.

Este vídeo (Inglês) apresenta o metabolismo da bilirrubina no fígado


O exame de bilirrubina é utilizado em várias situações:
Verificar o estado geral do fígado e observar sinais de doença hepática, tais como hepatite ou cirrose, ou os efeitos de medicamentos que podem prejudicar o órgão.
Diagnosticar as condições que causam o aumento da destruição das hemácias, como anemia hemolítica ou doença hemolítica do recém-nascido.
Verificar bloqueios dos ductos biliares. Isto pode ocorrer se cálculos biliares, tumores do pâncreas, ou outras condições que podem estar presentes.
Casos de icterícia neonatal, diagnosticar e acompanhar tratamento.
Como é feito o preparo para realizar este exame:
Adultos devem fazer jejum por 4 horas antes da coleta do sangue, para crianças não é necessário jejum.

Causas de aumento da bilirrubina direta (conjugada): Doenças hepáticas hereditárias (Dubin-Johnson, Rotor), lesão de hepatócitos (viral, tóxica, medicamentosa, alcoólica) e obstrução biliar (litíase, neoplasias). Níveis de bilirrubina direta maiores que 50% dos valores totais são sugestivos de causas pós-hepáticas. Causas de aumento da bilirrubina indireta: anemias hemolíticas, hemólise autoimune, transfusão de sangue reabsorção de hematomas, eritropoiese ineficaz e doenças hereditárias (Gilbert, Crigler-Najar). Uso de drogas que ativam o sistema microssomal hepático podem reduzir as bilirrubinas.

Valor de referência, normais
Direta – até 0,4 mg/dL
Indireta – até 0,8 mg/dL
Total – até 1,2 mg/dL
Bilirrubina total (recém nascido):
idade prematuro a termo

Cordão 2,9mg/dL 2,5mg/dL

<24horas 8,0mg/dL 6,0mg/dL

<48horas 12,0mg/dL 10,0mg/dL

3 a 5 dias 15,0mg/dL 12,0mg/dL

7 dias 15,0mg/dL 10,0mg/dL

Bilirrubina também pode ser medida na urina, que normalmente não contém este produto, se detectada na urina, podem ser necessários testes adicionais para determinar a causa.

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mononucleose


A mononucleose ou mononucleose infecciosa é uma doença viral causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), vírus A.D.N da família dos vírus da herpes.

A doença é caracterizada pelo aumento do número e do volume de certo tipo de glóbulos brancos (linfócitos mononucleares, formados em órgãos linfóides). Ela se manifesta através de uma inflamação da garganta, dores de cabeça, acompanhados de uma grande fadiga.
Nos países ocidentais, 80% da população são portadores do vírus. De fato, a contração do vírus geralmente ocorre na infância. Ela permanece muitas vezes assintomática. No entanto, 20% dos adultos secretam o vírus na saliva. Esta última se torna então uma via de transmissão do vírus. Razão pela qual a mononucleose infecciosa é mais conhecida como « doença do beijo ».

A mononucleose infecciosa atinge essencialmente os adolescentes.

A doença evolui de maneira favorável em cerca de duas semanas, são raras as complicações. Somente a fadiga subsiste. Existem inúmeras medidas a serem tomadas, a fim de tratar corretamente a mononucleose.
A primo-infecção ocorre, de forma geral, em países ocidentais, desde a infância. Ela é muitas vezes assintomática. O vírus, uma vez no organismo, se aloja nos gânglios e pode permanecer «silencioso», isto é, ele não necessariamente irá provocar a doença.

No entanto, estas pessoas estão infectadas e podem transmitir o vírus, pela via salivar.

Resumindo, a grande maioria da população possui o vírus da mononucleose infecciosa, porém a doença torna-se geralmente sintomática somente em adolescentes e jovens.

Com a melhoria das condições de higiene, a primo-infecção ocorre cada vez mais tardiamente e pode então ter conseqüências mais graves.

A incubação da mononucleose dura de 2 a 6 semanas (tempo entre a infecção e a manifestação dos sintomas)

Como a mononucleose infecciosa é caracterizada por um aumento do número e do volume dos linfócitos, a doença se manifesta essencialmente por:

- febre (no início), entre 38 e 39°C.

- inflamação na garganta

- dores de cabeça

- uma fadiga intensa (astenia)

- inflamação das amídalas, frequentemente cobertas de uma camada acinzentada.

- gânglios no pescoço, inchaço nas axilas, virilha e baço.
Isso pode levar a uma dificuldade da deglutição e até da respiração. Além disso, o inchaço dos gânglios do baço pode provocar uma sensibilidade do abdômen.

Como vimos na seção pessoas de risco, a primo-infecção ocorre cada vez mais tardiamente, devido às melhorias nas condições de higiene. Isso pode gerar conseqüências mais graves – a doença ocorrendo mais tarde, mas também com mais força.

Existem tipos mais graves de mononucleose infecciosa, como os que podem atingir o sistema nervoso e sistema neurológico.

As complicações mais conhecidas da doença são a grande fadiga persistente, que pode durar por vários meses. A fadiga pode também ser acompanhada de depressão.

Uma complicação pode também surgir no baço, se a pessoa receber um golpe na barriga, principalmente se o baço aumentar de volume durante a doença, pois este é um órgão frágil e pode se romper. Portanto evite praticar esportes de contato como os de combate, nesse período.
No entanto existe uma informação positiva: os doentes de mononucleose adquirem uma imunidade pro resto da vida.
De forma geral, a mononucleose infecciosa é curada de maneira espontânea, em algumas semanas. No entanto, a fadiga pode incomodar o doente por vários meses.

O médico encarregado do tratamento do paciente pode prescrever antibióticos se suspeitar uma complicação bacteriana.

O tratamento da mononucleose não é então específico, mas composto essencialmente de:

- bastante repouso

- tomada de antálgicos (anti-dor como o paracetamol, antiinflamatórios, antipiréticos).

- ingestão de bastante líquido.

Observação importante: evite os esportes de contato (que podem fazer o baço explodir, se este estiver ainda inchado)

http://www.criasaude.com.br/N1890/doencas/mononucleose/definicao-mononucleose.html